Toronto | Ver, comer e experimentar
Viajamos até ao Canadá?
Há cidades que temos o privilégio de conhecer através das nossas pessoas antes de as visitar. Toronto será sempre o meu exemplo, uma cidade que nunca irá precisar de um aperto de mão formal entre nós: já a conhecia das memórias que os meus avós partilharam comigo, da rua onde viveram, da loiça que voltou com eles para Portugal e onde me servi a vida toda. As primeiras memórias do meu pai e da minha tia.
E depois, a Toronto dele, claro, o meu pretexto, em primeiro lugar, para ir ao Canadá. Toronto foi apenas a visita colateral desse encontro.
Não estive dias suficientes na cidade, mas chegou para ter a certeza da dimensão e quantidade de culturas que abarca num só lugar. Vinha fresca de Nova Iorque e a comparação foi inevitável - era a segunda cidade Norte-Americana que visitava em tão pouco tempo e identifiquei muitas semelhanças que, na minha ingenuidade europeia, achava serem únicas à cidade que nunca dorme (e que, curiosamente, tiraram-lhe um pouco do charme).
Toronto é uma manta costurada com vários tecidos culturais e temporais; provamos o melhor da Ásia numa rua e ouvimos português na outra (aliás, fiz questão de passar pela rua onde os meus avós moraram). Encontramos lojas e fachadas paradas no tempo e edifícios que desafiam a arquitetura atual. Encontramos no design urbano as bases norte-americanas, mas as ruas têm nomes britânicos. Os arranha-céus fazem sombra às casinhas pitorescas dos anos 40. A universidade transporta-nos até Oxford, as estátuas das rainhas levam-nos até Londres. Tudo é recorte e colagem, pelo que não podemos olhar para a cidade por um elemento só e sim como o resultado de uma composição incompleta, onde há sempre espaço para acrescentar algo mais.
Não podemos afeiçoar-nos demasiado à sua estrutura atual. Este é o derradeiro desafio das grandes cidades: pedem-nos uma relação sem apego, sem ruas cristalizadas, lojas preferidas ou restaurantes de eleição. Em poucos anos, a cidade refaz-se, muda os ângulos e o seu recorte no postal, uma metamorfose constante que convida os mais aventureiros e desafia os mais conservadores a reconhecer o seu novo perfil e a gostar dela uma vez mais. Não há lugares de sempre nas cidades que são casa para tantas pessoas, negócios e acontecimentos. A cidade em si é o único lugar imutável. Quase como uma pessoa. Também nós não mantemos as nossas ruas iguais para sempre.
Vi tudo isto refletido no olhar deles e nas suas memórias. Quando se visita uma cidade grande que viu crescer alguém, percebemos o quanto é também capaz de encolher; só assim pode acolher todas as ruas marcantes, os locais de trabalho, os restaurantes preferidos, a família e amigos, as casas, a infância, a adolescência e depois a vida adulta. Há um enorme privilégio quando se visita uma cidade grande sem mapa e se percebe que não é só um lugar com ruas dinâmicas e referências que conseguimos decalcar de outras cidades. Não quando essa cidade é dita e descrita no tom de quem a viveu.
Já ouvi falar de ti.
Coisas boas, espero. - responde Toronto.
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Comer
Ed’s Real Scoop
Deixem-me dizer-vos: é dose estar em pleno agosto numa concrete jungle. Passei muito mal com o calor de Toronto e precisei de aproveitar todos os momentos de frescura que encontrei, incluindo nos gelados. Os do Ed’s Real Scoop são fantásticos (bastante populares, mas valem muito a pena). Aproveitem para explorarem sabores mais típicos do Canadá, como Moose Tracks ou Maple Walnut.
Bang Bang Ice Cream & Bakery
Ainda dentro dos gelados, a Bang Bang também é um lugar a não perder para um bom scoop fresquinho e com uma mistura entre sabores mais familiares e mais tradicionais do Canadá.
Poutine
Conhecendo o típico palato português, poutine é um desafio à nossa cultura de sabores e texturas: batatas fritas com queijo coalho por cima, regadas com gravy não vão ser a iguaria de eleição para muitas pessoas (penso nisto sempre que vejo alguém a comer francesinha e a tirar as batatas uma a uma para molhar, ao invés de as deitar logo no molho). Mas não dá para não irem ao Canadá sem provar. Sendo uma das minhas comidas de conforto desde a infância, fui muito feliz. Em Toronto, recomendo-vos estes lugares:
St. Lawrence Market
Admito, acho que foi o meu lugar favorito de Toronto: não só é perfeito para comer (com várias banquinhas disponíveis, incluindo lobster rolls, que eu amo!), mas vão sentir que viajaram no tempo. Tudo tem um ambiente e atmosfera típicos dos anos 80 e 90, não só pelos letreiros das bancas, mas também pela própria luz e disposição dos produtos, dos rótulos… Não consigo atribuir este ambiente a uma só coisa, mas à sua combinação. Facto é que me transportou para os antigos mercados de infância e senti que podia vaguear por ali eternamente. Também vão encontrar ingredientes locais que podem levar para casa, como bom maple syrup e um outro que vou revelar mais abaixo.
Blue Claw Lobster Shack
A nossa relação (portuguesa) com o marisco tem contornos diferentes de muitas partes da América do Norte. É comum encontrar restaurantes com abordagens pouco tradicionais ao marisco ou à lagosta (que, para nós, é uma iguaria e, para eles, é muito mais acessível). Vale muito a pena provarem lobster rolls ou poutine de lagosta (ninguém julga se ninguém comeu!!!). Este foi um dos meus lugares favoritos para provar.
BeaverTails
O doce mais tradicional do Canadá tem o formato de uma cauda de castor! A loja que o inaugurou está em Ottawa, mas têm um franchise em Toronto para que possam experimentar os sabores e ingredientes originais. A consistência fez-me lembrar uma fartura e têm imensas possibilidades de cobertura. Eu recomendo que peçam uma para partilhar a não ser que sejam assumidamente boca doce.
Chá no Royal York Hotel
Assumindo que as minhas leitoras não são herdeiras, talvez uma estadia no Royal York Hotel seja um esticão, mas não deixem de ir ao bar e de beber um belíssimo chá dentro deste hotel.
Pizzeria Badiali
Para uma pizza norte-americana a valer, as da Badiali são irresistíveis - fatias finas, côdea crocante e muito, muuuuuito queijo.
Rol San Restaurant
Não podem deixar Toronto sem visitar pelo menos um restaurante da Chinatown, e esta recomendação eu peço-vos que guardem com muito carinho: é o restaurante que o J vai desde que era criança e ele tem muito amor pelo espaço e pela família. Sempre que dá um pulo a Toronto, é aqui que vem matar saudades, por isso, não é uma recomendação qualquer ❤️🩹
The Pilot
When in North America… as asas de frango são super apreciadas. Faz parte da experiência descansar numa booth e escolher entre as dezenas de opções de sabores, temperos e molhos, sendo algumas das mais populares as honey garlic chicken wings e os molhos de ranch. O The Pilot tem um ambiente um pouco estudantil (asas de frango são tipicamente uma refeição barata), mas entregam o pedido na perfeição!
Bagels
Há um consenso geral no país de que os melhores bagels são os de Montreal (embora Toronto tenha o seu orgulho…), mas há lugares fantásticos para comer bons bagels na cidade - e são perfeitos para um almoço on the go:
Gryfe’s (aqui vão encontrar Gryfe’s bagels, que são a versão original e judaica desta sandes - sabiam a origem? 🤓)
Visitar
The PATH
Toronto pode, em invernos extremos, chegar aos -30ºC, e por muito que seja bom encarar melhor o inverno, a cidade teve de encontrar uma forma de contornar a austeridade dos invernos e de trazer alguma mobilidade. O The PATH nasceu como resposta a esta necessidade: um complexo subterrâneo com mais de 30km que liga várias ruas da cidade a empresas, estações de metro, hotéis, lojas e restaurantes. Acredita-se que una, no total, mais de 1200 lugares, fazendo com que pareça uma réplica subterrânea da cidade.
Para mim, remeteu-me a um Amoreiras interminável, e embora tenha comentado que me fazia alguma confusão imaginar passar um dia inteiro a andar de um lado para o outro na cidade sem nunca ver a luz do sol, o J trouxe-me alguma perspetiva: “Quando estão -20ºC e tens de usar duas camadas térmicas por cima da tua roupa normal e ainda deslocar-te para o teu trabalho de transportes públicos, despir tudo quando chegas ao teu local de trabalho e voltar a vestir tudo na pausa de 20 minutos para almoçar (eles não têm 1h de almoço), acredita, dá mesmo muito jeito e é bastante eficiente”.
Elgin & Winter Garden Theatres
É inacreditável o ambiente encantador desta sala de espetáculos, numa fusão perfeita entre teatros Edwardian (os últimos no mundo) e… limoeiros. Se puderem, não pesquisem nada, deixem-se surpreender!
Royal Ontario Museum
Lembro-me de brincar com o J a dizer que era a ‘Casa da Música’ de Toronto (sem sequer imaginar, na altura, que iríamos viver para o Porto…). Este é um museu com tudo para todos os gostos, dos dinossauros às obras de arte, mas confesso que a minha parte favorita (e gratuita!) foi a ala dedicada à população indígena e fundadora do Canadá.
O programa escolar do Canadá introduz, desde muito cedo, às crianças e estudantes que, antes de existir um Canadá na Commonwealth, já existia esta terra sagrada com inúmeras comunidades indígenas - cada uma com a sua cultura, rituais, linguagem e tradições. E esta ala é precisamente uma homenagem a este legado.
Esta tem sido uma das várias iniciativas do governo atual de, na impossibilidade de reverter a história, reconhecer o que foi feito a estas comunidades.
Foi, talvez, um dos elementos mais fascinantes da visita por não ser algo que tenhamos grande educação sobre, enquanto Portugueses. Somos uma História de colonizadores, mas sabemos muito pouco sobre comunidades indígenas um pouco por todo o mundo (incluindo dos lugares que colonizámos). Diria, até, que a passagem por esta ala é fundamental.
Riverdale Park
Senti falta de grandes espaços verdes e parques em Toronto. Há poucos jardins e a maioria dos espaços naturais estão reservados às ilhas, mas em Riverdale Park temos a tão esperada natureza na cidade (vaquinhas incluídas!). Fez-me lembrar Primrose Hill, em Londres, com os campos verdes abertos e o horizonte da cidade aos nossos pés. Queria recomendar um pôr do sol aqui, mas não é uma área incrível para estar ao final do dia/noite, por isso eu desfrutava da tarde bem passada e saía antes da noite cair.
CN Tower
Sim, é turística e também é um ponto a não perder. Ergue-se nuns impressionantes 553,3 metros de altura, foi concluída em 1976 e foi, durante 32 anos, a torre mais alta do mundo (até 2007, quando foi ultrapassada pela Burj Khalifa, no Dubai).
Inicialmente, podia ser subida através dos mais de 1000 degraus ou de elevador através de um pequeno fee, mas, para pouparem dinheiro, muitos visitantes optavam pelas escadas e o número de casos de pânico e claustrofobia levaram ao fecho permanente das escadas ao público. A subida sem janelas nem pontos de paragem causava ansiedade e obrigava a que a brigada de bombeiros subisse também a torre para socorrer essas pessoas.
Excecionalmente, estas escadas voltam a estar abertas ao público duas vezes por ano, ambos eventos de solidariedade: a WWF Climb for Nature (um evento com mais de 30 anos onde os participantes sobem até ao topo da torre para gerar fundos para a biodiversidade e combate às alterações climáticas) e a United Way ClimbUP (o mesmo desafio, mas desta vez para a geração de fundos para iniciativas de segurança alimentar, habitação, fixação e emprego).
A torre tem todas as atrações possíveis, mas a visita, por si só, já é inacreditável. Se quiserem poupar para alguma das experiências, eu recomendo o restaurante no topo. É totalmente giratório e a cada 72 minutos realiza uma volta completa, permitindo-vos ter uma refeição com vista para todos os pontos emblemáticos de Toronto.
Hockey Hall of Fame
Uma atividade perfeita para os amantes de desporto. O hockey é o desporto-rei do Canadá e uma modalidade da qual muito se orgulham. O país para e mobiliza-se para ver os jogos (um choque cultural que tenho com o J é saber que, em grandes jogos, as escolas transmitem os jogos nos auditórios, que têm projetores, para as crianças que estão de recreio poderem ver). Neste museu, podem conhecer um pouco mais sobre a história, as equipas e os rostos que têm marcado o hockey ao longo dos anos.
Fazer
Passeio pelas ilhas de Toronto
Toronto tem 15 ilhas espalhadas ao longo do lago Ontário e todas elas têm características muito interessantes. Existem ilhas cujo acesso por humanos é interdito (para conservação das espécies nativas), existem ilhas com casas-barco que são as residências de pessoas que desistiram de ter uma casa na cidade, e depois existem as ilhas para onde a maioria dos locais vai para desfrutar um pouco da natureza, dos banhos no verão e dos piqueniques.
Por si só, as ilhas já são magníficas de visitar, mas num passeio de barco conseguem desfrutar também do horizonte de Toronto, que é lindíssimo de ver. Entre as ilhas, conseguem circular através de ferries ou de pontes.
Dicas e curiosidades
Comprem repelente nas farmácias locais (verão): se vão a Toronto no verão, esta é a recomendação principal. Tanto a fórmula do repelente quanto das soluções de alívio a picadas são mais eficazes para os mosquitos e insetos no Canadá e isto faz a diferença, principalmente se fizerem alergia com facilidade a picadas.
Up Express: a melhor opção para irem do aeroporto à cidade. Podem apanhar o comboio no próprio aeroporto e chegam à cidade tranquilamente em menos de meia hora.
Yonge Street: não deixem de passear (um pouco) por uma das ruas mais longas do mundo, com mais de 50km! Um outro detalhe curioso é que foi o local que marcou o primeiro Pride Parade de Toronto, em 1981.
Pontos de refil da água: vão encontrar em vários lugares da cidade (mas principalmente shoppings e estações de metro) pontos para encherem a vossa garrafa de água com água potável e gratuita.
A mostarda é… canadiana?: a nossa tendência europeia leva-nos a pensar que a mostarda é uma iguaria francesa, mas… É canadiana! Cerca de 80 a 90% da produção global de mostarda é proveniente do Canadá e a maioria das sementes de mostarda utilizadas no mundo (incluindo a de Dijon) vêm daqui. Portanto, não podem deixar de a experimentar nas suas várias combinações e sabores possíveis (e é um souvenir bem original). Uma das melhores marcas é a Kozlik - e podem provar e comprar no St. Lawrence Market, que recomendei acima.
Gorjetas: tal como nos Estados Unidos, existe uma taxa de serviço que é praticamente incluída em todas as refeições, e por isso é importante anteciparem esse valor quando consultarem os preços de uma refeição. É nas gorjetas que a maioria dos funcionários recolhe o seu salário (questionável? sem dúvida, e o próprio país divide-se neste debate que já dura décadas). As melhores dicas são: a recomendação de tip é sempre de 15% sobre o valor total da refeição (verifiquem no talão ou no terminal de pagamento se não estão a pôr uma percentagem superior e, se sim, peçam que corrijam para a recomendada, caso não queiram pagar mais. 12% é baixa, 15% é o normal, 20% é impensável). Esta prática é habitual em restaurantes, mas podem tentar aplicar esta taxa em cafés ou em outros serviços e, nesses casos, a recomendação é só darem tip se 1) o serviço for mesmo excecional ou 2) se forem servidos à mesa em cafés. Caso contrário, não são obrigados e é até recomendado que corrijam a fatura, caso sejam cobrados.
The 6ix: é a alcunha mais conhecida da cidade, popularizada pelo Drake e é uma referência aos 6 distritos originais da cidade.
Distritos: para contrariar o Drake, podemos fragmentar Toronto em 3 distritos principais: West End, Financial District e East End. A Financial District é a zona mais cara de todas, West End é uma boa zona para procurar alojamento. Zonas a evitar na cidade são:
Regent Park
Jane-Finch
Flemingdon Park
Weston-Mount Dennis
Malvern
Crescent Town
Little Portugal (💔)
O Canadá tem enfrentado, desde a pandemia, uma crise de saúde pública devido ao consumo de droga, e embora o cenário esteja progressivamente a melhorar, continua crítico. Não me senti insegura em Toronto, mas, tal como em Nova Iorque, tive plena consciência de que estava numa grande cidade e que os cuidados tinham de ser redobrados.
Metro: Toronto não tem um sistema de metro incrível (funciona, mas nem sempre é eficiente ou reliable e fecha às duas da manhã). Se ficarem muitos dias, pode compensar fazerem um PRESTO Card. Os cuidados são os habituais: não esperem perto da linha do metro, guardem o telemóvel, evitem viagens à noite e carruagens vazias.
Comprar
Good Neighbour
Sou fã de uma loja com uma boa curadoria de marcas e designs, é onde encontro sempre os melhores souvenirs e memórias para a casa ou para vestir. A Good Neighbour é um exemplo perfeito, onde encontram de tudo, da moda à decoração e estacionário, com muito palco para marcas e artistas locais.
Bazaar
Na mesma linha do Good Neighbour, a Bazaar também é uma concept store fantástica para encontrarem vários artigos muito originais, com a vantagem de que tem uma vertente de roupa e peças em 2ª mão que pode tornar a experiência ainda mais única e divertida.
Indigo (várias localizações)
Nenhuma leitora ou amante de estacionário sai ilesa de uma visita à Indigo. Cada uma maior que a outra, a oferta de livros, cadernos, acessórios ou decoração é de perder de vista (e a cabeça). Os preços dos livros (tirando em lojas de 2ª mão) no Canadá são proibitivos, mas vão ficar encantadas com tudo o que a loja tem para vos oferecer.
The Scribe
Esta livraria é o sonho de qualquer alfarrabista, repleta de livros em 2ª mão, edições vintage e até 1ªs edições assinadas. Para mim, foi uma daquelas visitas ‘só para ver’, mas encheu todas as medidas.
Sonic Boom
Diria que é a Meca dos amantes de música e absolutamente imperdível. A oferta de discos, vinis, posters, acessórios e literatura musical é talvez das mais diversas que já vi na minha vida, incluindo achados bem raros - foi aqui que consegui uma bootleg do Blonde para trazer para o João que não implicou o valor de uma entrada de imóvel.
Decidi dividir o meu guia pelo Canadá em dois. Neste, foquei toda a atenção por Toronto, mas confesso-vos que a minha parte favorita da viagem não foi nesta cidade e sim nos lugares, experiências e aventuras que tive no resto dos dias… Mas isso fica para o próximo guia!
Até ao próximo postal,
Inês



